Trilhas curtas e fáceis na América do Sul pra quem nunca fez trekking na vida

Demorei anos pra encarar minha primeira trilha porque sempre imaginei que precisaria de preparo físico de atleta, equipamento caro e um dia inteiro de caminhada. Depois descobri que existem trilhas espalhadas pela América do Sul que resolvem exatamente esse medo: curtas, bem sinalizadas e com recompensa visual enorme pra quem está começando. Escolhi três, em três países diferentes, pra mostrar que dá pra sentir aquela sensação de conquista sem sofrer no caminho.

Nenhuma delas passa de duas horas de caminhada, ida e volta, e nenhuma exige bota específica de trilha — um tênis confortável de caminhada resolve nas três. O que muda de uma pra outra é o tipo de paisagem: mar e pedra no Rio, montanha colorida na Argentina, água e vulcão no Chile.

Trilha da Pedra Bonita: o primeiro trekking de muita gente no Rio de Janeiro

Fica dentro do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, e é provavelmente a trilha mais recomendada do Brasil pra quem nunca fez nenhuma. Em menos de 30 minutos de caminhada leve, numa trilha larga e bem batida, cheguei a um mirante com vista pra São Conrado, a Pedra da Gávea e o mar.

Como chegar: o início da trilha fica na Estrada da Canoa, no bairro de São Conrado, acessível de carro, aplicativo ou ônibus até o ponto de partida. Não precisa de guia — o caminho é único e bem sinalizado, embora eu tenha visto muita gente contratando um por segurança nos fins de semana mais cheios.

Onde ficar: como é uma trilha de meio período, funciona bem ficar hospedada em qualquer bairro da Zona Sul do Rio — São Conrado, Leblon ou Ipanema — e fazer a trilha como programa de manhã, antes de aproveitar a praia à tarde.

Passeios e dicas práticas: fui num sábado de manhã cedo, antes das 8h, e evitei o calor e boa parte do movimento. Levei tênis comum, água e protetor solar — nenhum equipamento especial é necessário. Vale combinar com um voo de parapente, que sai bem perto do mesmo mirante, pra quem quiser uma dose extra de adrenalina, ou simplesmente descer e emendar a tarde numa das praias da própria São Conrado.

Cerro de los Siete Colores: uma caminhada fácil entre montanhas coloridas na Argentina

Em Purmamarca, na Quebrada de Humahuaca, no norte da Argentina, existe uma trilha curta que contorna a base do Cerro de los Siete Colores — um morro com faixas de cor que vão do vermelho ao verde, formadas por camadas de minerais diferentes.

Como chegar: Purmamarca fica a cerca de 65 km de San Salvador de Jujuy, a cidade com aeroporto mais próximo, num trajeto de pouco mais de uma hora de ônibus ou carro alugado. A trilha começa na própria praça central do vilarejo.

Onde ficar: Purmamarca tem pousadas pequenas de arquitetura tradicional, com preços mais em conta do que os hotéis maiores de Jujuy, e a vantagem de acordar já dentro do cenário colorido. Quem prefere mais opções de restaurante e vida noturna pode ficar em Tilcara, um pouco maior, a meia hora dali.

Passeios e dicas práticas: a volta completa leva cerca de uma hora e não tem trecho de subida forte, mas o sol da região é intenso e a altitude (por volta de 2.300 metros) pode deixar qualquer pessoa mais cansada do que o normal — fui com bastante protetor solar, chapéu e água, e caminhei num ritmo mais lento no início pra me adaptar. Vale reservar um fim de tarde pra ver as cores da montanha mudarem com a luz do pôr do sol.

Saltos del Petrohué: caminhada tranquila entre quedas d’água no Chile

Perto de Puerto Varas, no sul do Chile, o Parque Nacional Vicente Pérez Rosales tem uma passarela de madeira curta e plana que acompanha o Rio Petrohué até uma sequência de quedas de água turquesa, com o vulcão Osorno ao fundo.

Como chegar: Puerto Varas é a cidade-base mais prática, a cerca de 1 hora de carro ou van até a entrada do parque. Boa parte das agências de turismo da cidade vende o passeio já com transporte incluso.

Onde ficar: Puerto Varas tem pousadas e hotéis pra todos os orçamentos, boa parte com vista pro Lago Llanquihue, e funciona como base também pra outros passeios da região, como o vulcão Osorno e o Lago Todos los Santos. Prefira ficar perto do centro, de onde saem a maioria dos vans e excursões, pra não depender de carro próprio.

Passeios e dicas práticas: toda a passarela é plana e reforçada, então não exige nenhum preparo físico — foi, sem dúvida, a mais fácil das três. Levei uma jaqueta corta-vento, porque o clima do sul do Chile muda rápido, e reservei pelo menos uma hora extra só pra ficar parada observando a força da água batendo nas pedras vulcânicas.

O que aprendi nessas três trilhas

Nenhuma das três trilhas exigiu mais do que algumas horas do meu dia, e todas terminam em algo que vale muito mais do que o esforço pedido. Se é a primeira vez que alguém pensa em fazer uma trilha, esse é o tipo de roteiro que recomendo antes de qualquer aventura mais longa: começar pequeno, sentir o corpo respondendo bem e só depois pensar em trilhas de um dia inteiro ou de vários dias.

Um conselho que valeria pras três: não subestimar a importância de protetor solar e água, mesmo em trilhas curtas — o sol da altitude em Purmamarca e a exposição direta na Pedra Bonita pegaram mais forte do que eu esperava nas duas vezes. Voltei desse roteiro com uma certeza boa: trekking não precisa ser sofrimento pra ser inesquecível, e às vezes duas horas de caminhada tranquila bastam pra mudar a forma como alguém enxerga uma paisagem inteira.

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